quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

33 SEMANAS DEPOIS...

... confesso que estou pelos cabelos.

"Ai mas é um momento único e depois vais ter saudades e blablabla", dizem-me, por vezes, pessoas que ou nunca estiveram grávidas ou sofrem claramente de amnésia agravada.

Chamem-me insensível, mas fui mãe pela primeira vez há seis anos e NUNCA, mas nunca, tive saudades de estar grávida. O facto de me encontrar na condição de gestante novamente deve-se apenas e só ao desejo meu e do meu paciente marido em aumentar a família, e a toda a questão biológica que impede que seja ele a carregar a criança.

Desculpem-me portanto, pessoas lamechas, mas não vou ter saudades de todo. Tenciono, aliás, adquirir um tambor e um apito para celebrar o fim do meu estado gravídico.
Entrei em contagem decrescente desesperada. Sonho com o dia em que a minha filha nasça e eu consiga ser eu outra vez.


Há mais de um mês que não aperto os atacadores numa posição decente. Já não consigo visualizar a minha... bem. Tenho que passar em alguns sítios de lado. Há três pares de calças que já não me servem e as minhas t-shirts perderam toda a dignidade que alguma vez me conferiram. Os movimentos fofuchos da mini-me tranformaram-se em violência doméstica e sou ferozmente agredida por dentro a todas as horas. Só consigo respirar em três posições e só consigo dormir numa. Já não me lembro de acordar menos de três vezes por noite para ir ao wc. E tenho uma borbulha na cara.


Maneiras que saudades não obrigado. Quero é que chegue rápido o dia de ter a mini-me nos meus braços.
E de vestir aqueles três pares de calças.